Contraditória, a prática do Jejum Intermitente divide opiniões de especialistas ainda aguarda um estudo definitivo sobre sua eficácia

Muito comentado hoje em dia, o Jejum Intermitente, ou JI, diferente do que habituamos entender como dieta, é considerado uma “prática de alimentação”, que consiste em alternar períodos de jejum com períodos de alimentação, ou seja, alterna intervalos sem comer, com os horários em que comer está liberado, porém especialistas divergem opiniões sobre o assunto pois não há estudos definitivos publicados que comprovem a eficácia da prática.

Como o Jejum Intermitente se tornou tão popular?

O Jejum Intermitente se popularizou, por entregar resultados a quem deseja perder peso de forma rápida, pois geralmente as dietas para perda de peso são baseadas na diminuição das calorias ingeridas o que faz com que o corpo utilize os estoques de gordura para equilibrar as necessidades calóricas diárias para manter o bom funcionamento do organismo, garantindo essa perda de gordura.

A teoria

Há quem defenda que o JI é uma maneira natural de comer e que as refeições programadas como conhecemos atualmente, café da manhã, almoço e jantar, por exemplo, são mais uma questão econômica e cultural, do que uma questão de saúde e que antes da indústria o padrão de alimentação do ser humano era feita com poucas refeições, baseado em muita proteína, gorduras e pouco carboidrato.

Estudo publicado na revista Nutrition And Healthy Aging, aponta queda na pressão arterial dos praticantes, a utilização da gordura armazenada como fonte de energia, contribuindo para perda de peso.

Já um estudo da Universidade de Cambridge demonstra que o processo de jejum pode ajudar evitar o desenvolvimento de câncer de mama em pessoas obesas.

Em contrapartida, especialistas sugerem que não há garantias a longo prazo de que esse estilo de alimentação seja saudável. Alguns pesquisadores apontam um déficit de informações sobre os impactos no corpo humano quando a prática é seguida a longo prazo.

Segundo departamento de Fisiologia e Biofísica do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade São Paulo (ICB- USP), durante uma pesquisa sobre o impacto do jejum no pâncreas, foi observado um aumento dos radicais livres, massa de gordura e tamanho do estômago, assim como um aumento da secreção de insulina, contradizendo as primeiras impressões positivas que fez a prática tão popular.

Há também a questão se um possível dano for causado pela prática, possa ser irreversível, pois segundo os dados da USP, o jejum protocolar pode facilitar o aparecimento de algumas doenças e não há nenhum estudo que mostre que se a prática for interrompida o organismo consiga se regenerar.

Como funciona o Jejum Intermitente?

De uma forma geral, o jejum intermitente funciona assim: você se alimenta normalmente por um período do dia, e no outro período restringe a alimentação. O consumo de alimentos durante o jejum, fica restrito apenas a líquidos, água, café, chás tomados puros, sem qualquer tipo de adoçante.

Os períodos de alimentação são chamados de janela alimentar, durante esse tempo a ingestão de alimentos deve ser controlada. Uma grande parcela dos adeptos do JI associam essa prática a uma dieta balanceada rica em proteínas e gorduras, com baixo teor de carboidratos.

Já o jejum, é um período sem consumo de alimentos, por exemplo, durante o sono, quando não há nenhum tipo de ingestão calórica.

Conclusão

O consenso dos pesquisadores é que não há dieta milagrosa e quando se inicia um processo de emagrecimento o equilíbrio é fundamental.  Cada organismo responde de uma forma diferente ao plano alimentar e devem ser considerados outros fatores como idade, sexo, grau de obesidade, grau de atividade física e exames de sangue, antes de considerar um plano alimentar, sempre com a ajuda de um profissional qualificado.

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