Pessoa que sente a dor terrível no lado direito de sua barriga, em fundo branco

A apendicite é a emergência cirúrgica abdominal mais comum, afetando aproximadamente 10% da população. Ocorre mais frequentemente entre 10 e 30 anos, mas pode acontecer em qualquer idade. É causada pela obstrução do apêndice por um fecalito (pequeno pedaço endurecido de fezes) ou corpo estranho, que leva à inflamação e infecção. Se não tratada pode evoluir com gangrena e perfuração dentro de 36 horas.

Mas, o que é o apêndice?

É uma pequena parte do intestino grosso em forma de dedo, que se encontra perto do local onde este se une ao intestino delgado. O apêndice tem uma função imunológica, de defesa do organismo, mas não é um órgão essencial.

em fundo branco, ilustração interna-do-corpo humano destaca a posição do apêndice que está em tom vermelho sinalizando uma apendiciteQuais são os sintomas da apendicite?

Os principais sintomas incluem:

  •       Inicia com uma dor vaga, geralmente perto do umbigo;
  •       Dentro de 12 horas a dor se torna de forte intensidade e se move para a parte inferior da barriga, do lado direito;
  •       Perda de apetite;
  •       Náusea e vômito;
  •       Febre;
  •       Constipação intestinal.

 

Algumas pessoas podem apresentar sintomas diferentes ou menos comuns, como:

  • Dor em região do estômago;
  • Acúmulo de gases;
  • Diarreia;
  • Mal-estar.

 

Existem exames para o diagnóstico apendicite?

A avaliação médica com o exame clínico pode realizar o diagnóstico de apendicite. Os exames complementares como ultrassom ou tomografia computadorizada de abdome podem confirmar esse diagnóstico.

 

Quais são as possíveis complicações da apendicite?

A perfuração ou ruptura do apêndice pode ocorrer em 20% dos pacientes e deve ser suspeitada em pacientes com dor persistente por mais de 36 horas, ou que afeta toda a barriga ou febre alta. Nesse caso pode causar a formação de uma bolsa de pus infectada (abscesso). Como resultado, uma peritonite (inflamação e geralmente infecção da cavidade abdominal, que pode resultar em uma infecção possivelmente de risco à vida) pode se desenvolver. Em mulheres, os ovários e as tubas uterinas podem ficar infectados e a cicatrização resultante pode bloquear as tubas uterinas e causar infertilidade. Um apêndice com ruptura também pode permitir que bactérias infectem a corrente sanguínea – um quadro clínico com risco de morte conhecido como sepse.

 

Qual o tratamento da apendicite?

O principal tratamento da apendicite não complicada é a cirurgia para remover o apêndice. Esta cirurgia pode ser feita de duas maneiras:

  • Cirurgia aberta – durante uma cirurgia aberta, o médico faz um corte próximo ao apêndice, que é grande o suficiente para acessar e retirar o apêndice;
  • Cirurgia laparoscópica – durante a cirurgia laparoscópica, o médico faz alguns cortes que são muito menores do que os usados ​​na cirurgia aberta e insere ferramentas na barriga. Uma das ferramentas tem uma câmera (chamada de “laparoscópio”) que envia imagens para uma tela de TV, na qual o médico vê onde está o apêndice e o retira através de outras ferramentas.

 

A apendicite pode ser tratada sem cirurgia?

É possível tratar apenas com antibióticos endovenosos e pode ser considerado em pacientes com apendicite sem perfuração e com contraindicação à cirurgia. Mas, sem cirurgia, existe chance de novo episódio em 20 a 35% dentro de 1 ano. Portanto, a cirurgia ainda é o melhor tratamento na maioria dos casos.

 

Qual o prognóstico da apendicite?

Com uma intervenção cirúrgica precoce, as possibilidades de morrer por apendicite são muito reduzidas. Geralmente, a pessoa pode deixar o hospital em um a três dias e a recuperação geralmente é rápida e total. Entretanto, pessoas mais idosas podem levar mais tempo para se recuperar.

Sem cirurgia ou antibióticos (o que pode ocorrer no caso de uma pessoa que esteja em um local remoto, sem acesso a assistência médica), mais de 50% das pessoas com apendicite podem morrer.

Portanto, atenção: na presença dos sintomas descritos acima é importante procurar atendimento médico com urgência!

 

Fontes:
Current Medical Diagnosis and Treatment 2018
UpToDate -  Management of acute appendicitis in adults, 2018
Manual MSD - Apendicite
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