jovem mulher de cabelo curto preto e liso está sentada sob a cama e com as mãos na barriga para aliviar uma dor de estômago, possivelmente causada por intoxicação alimentar

A intoxicação alimentar ocorre com a ingestão de alimentos contaminados com bactérias, parasitas e vírus. Essa contaminação se dá pela falta de higienização dos alimentos, carnes e ovos não cozidos ou mal cozidos, com longo período de exposição, manipulados com condições inadequadas de higiene.

O alimento não precisa aparentar estar estragado quando está contaminado, ou seja, não há alterações visuais, de odor ou sabor, isso dificulta ainda mais na identificação de alimentos infectados, portanto, tenha conhecimento dos processos utilizados para armazenamento, higiene e cocção dos alimentos que pretende consumir.

 

Causas da intoxicação alimentar

Os principais microrganismos presentes nos alimentos contaminados, dividem-se em três grupos: bacterianos, viral e parasitológico.

 

Intoxicação alimentar do tipo bacteriano

Salmonela:  A transmissão é por meio do contato com fezes de animais infectados. Quando as fezes entram em contato com o solo ou com a água que será utilizada na higienização e/ou cocção dos alimentos ou com outros animais sadios. Normalmente, os animais infectados são assintomáticos, o que facilita a transmissão e a comercialização de carne contaminada. Os principais alimentos acometidos por essa bactéria são os ovos ou produtos que contenham ovo cru em sua preparação, leite não pasteurizado, carne crua e aves.

Estafilococos: é um microrganismo que sobrevive em ambientes com ou sem oxigênio, chamado de Staphylococus aureus. A contaminação se dá por meio do contato da bactéria com cortes, infecções de pele, até em espinhas, pois, a nossa pele é o ambiente que favorece a sua proliferação.

Clostridium botulinum (Botulismo): é o tipo de infecção alimentar mais incomum, porém, a mais grave, pois pode resultar em morte. É encontrado no solo, em produtos como alimentos defumados, mel, peixes, alimentos com conservação inadequada e enlatados. Após a ingestão, ocorre alterações no sistema nervoso central. Essas bactérias são eliminadas com fervura, por cerca de trinta minutos, em temperatura superior à 60ºC.

Clostridium prefringes: este tipo é encontrado principalmente em carnes. A sua disseminação é por meio de moscas, são encontrados no ar, chão e poeira. Esses microrganismos resistem à fervura e ficam inativos em temperaturas inferiores à 20ºc e superiores à 60ºC, ou seja, dentro desse intervalo, estão ativas.

Campylobacter: essa bactéria se encontra na carne crua de aves, no leite não pasteurizado, em carnes vermelhas e na água não tratada.

Listeria: essa bactéria é transmitida pelo contato direto com os animais infectados, durante o parto dos animais (mãe e filhote) e com o consumo de carne crua, crustáceos, mariscos e moluscos, leite não pasteurizado, frutas verduras e legumes com baixa qualidade de higienização.

Shigella: essa bactéria  se dissemina por meio de moscas, água contaminada com fezes humanas e os alimentos que entram em contato com essa água. Os alimentos mais susceptíveis são salada de atum, batata, aves e camarão, vegetais crus e leite não pasteurizado.

Vibrio vulnificus: esse microrganismo pode infectar por meio da sua ingestão, assim como por meio do manipulação de peixes, moluscos, crustáceos, por meio de algum ferimento pré-existente no manipulador.

Escherichia coli: essas bactérias se desenvolvem até em altas temperaturas, de 7 a 46ºC. A contaminação é a mesma apresentada pelas demais, chamada de fecal-oral.

 

Intoxicação alimentar do tipo Viral

Esse tipo de contaminação é pouco comum em comparação com os tipos bacterianos e são divididos em dois subtipos:

  • Rotavírus: a transmissão se dá por meio da ingestão de água ou alimentos que possam ter entrado em contato com fezes contaminadas, ou por meio da não higienização das mãos.
  • Norovírus: é considerado a causa mais comum para o desenvolvimento de gastroenterite. Sua transmissão pode ocorrer por meio do contato com pessoas infectadas, assim como contato com objetos também infectados, e principalmente, com a ingestão de alimentos ou água contaminados.

 

Intoxicação alimentar do tipo Parasitária

Giárdia: é um microrganismo que provoca infecção gastrintestinal chamado de Giardia lambia. Assim como os outros tipos também é transmitida pela ingestão de água e alimentos contaminados.

 

Consequências da intoxicação alimentar

Em muitos casos, os sintomas melhoram em, aproximadamente, uma semana, porém, em alguns casos, a falta de tratamento pode resultar em prejuízos graves para a saúde, como:

  • Desenvolver Hepatite A;
  • Atingir as terminações nervosas periféricas, no caso do botulismo;
  • Desidratação;
  • Complicações durante a gestação, com risco para aborto espontâneo e danos neurológicos no bebe, com a contaminação por Listeria;
  • Síndrome urêmica hemolítica, com chance de evolução para insuficiência renal, no caso de Escherichia coli;
  • Óbito.

 

Fatores de risco

Pode ser considerado fatores de risco, os grupos de pessoas mais suscetíveis:

  • Gestantes;
  • Idosos;
  • Crianças, principalmente até os cinco anos de idade;
  • Doentes crônicos;
  • Pessoas com doenças autoimunes;
  • Pessoas imunodeprimidas;
  • Pacientes em tratamento com quimioterapia e/ou radioterapia.

 

Sintomas da intoxicação alimentar

  • Diarreia;
  • Náusea e vômito;
  • Presença de sangue nas fezes ou vômito;
  • Cólicas abdominais;
  • Febre, acima de 38ºC;
  • Boca seca e sede excessiva;
  • Fraqueza;
  • Tontura;
  • Mal estar generalizado;
  • Dor de estômago.

Caso ultrapasse quatro dias, os sintomas se mantenham acentuados ou identifique sintomas neurológicos como fraqueza muscular, formigamento nos braços e visão embaçada, é imprescindível procurar um médico para que siga o tratamento correto.

 

Tratamento da intoxicação alimentar

É importante manter a hidratação, pois perde-se muito líquido e sais minerais com vômitos e diarreia. Hidrate-se com água, água de coco, sucos e isotônicos.

Se apresentar muito vômito, recomenda-se ficar algumas horas em jejum, posteriormente retomar com alimentos leves, ausente em gordura, temperos prontos e condimentos

O repouso é muito recomendado, para uma melhor recuperação.

Se os sintomas persistam é importante buscar atendimento médico, para haja a possibilidade de hidratação intravenosa. Em alguns casos poderão ser prescritos antibióticos, em outros o paciente é direcionado para realizar um tratamento intensivo, como no caso do botulismo.

 

Prevenção

É possível evitar a ocorrência de intoxicação alimentar, com simples atitudes diárias:

  • Lave sempre as mãos após utilizar o banheiro e antes de manipular alimentos;
  • Armazene corretamente os alimentos, lembre-se de guardar rapidamente na geladeira ou freezer os alimentos perecíveis;
  • Lave os utensílios de cozinha e os alimentos antes de iniciar o processo de cozimento, e entre as fases de preparo devem ser higienizados novamente;
  • Lave as frutas, verduras e legumes em água corrente e posteriormente, higienize com água sanitária (1 colher de sopa de água sanitária para 1 litro de água) ou cloro próprio;
  • Consuma e cozinhe apenas com água tratada e filtrada, fervida ou mineral;
  • Cozinhe bem os alimentos, com foco principal em carnes, ovos e frutos do mar;
  • Retire os alimentos do refrigerador apenas no momento em que for realizar a refeição ou prepará-la, no caso de descongelar, o faça na geladeira e não em temperatura ambiente;
  • Separe os alimentos já cozidos dos crus, mesmo no momento de servir;
  • Verifique o prazo de validade dos produtos utilizados.

Se for realizar alguma refeição fora de casa, lembre-se de:

  • Atentar-se à higiene do local e dos funcionários;
  • Evite consumir carne crua ou mal passada, alimentos frios ou mornos, alimentos em conserva;
  • Evite ingerir maionese e doces que em sua receita utilizem ovos crus no preparo.

 

Referencias:
https://g1.globo.com/bemestar/noticia/sintomas-da-intoxicacao-alimentar-leve-tendem-a-desaparecer-sozinhos.ghtml
http://www.sautil.com.br/nutricao-e-dietas/alimentacao-saudavel/conteudo/intoxicacao-alimentar
https://www.ativosaude.com/saude/intoxicacao-alimentar/
https://www.gndi.com.br/saude/blog-da-saude/evite-a-intoxicacao-alimentar
https://www.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/enfermagem/intoxicacao-alimentar/809
https://www.h9j.com.br/suasaude/paginas/9-dicas-para-evitar-a-intoxica%C3%A7%C3%A3o-alimentar.aspx
https://www.nhs.uk/translationportuguese/Documents/Food_Poisoning_Portuguese_FINAL.pdf
http://www.hospitalsaocamilosp.org.br/sua-saude-agradece/como-evitar-a-intoxicacao-alimentar-no-verao
https://www.nhs.uk/translationportuguese/Documents/Norovirus_Portuguese_FINAL.pdf
https://www.bio.fiocruz.br/index.php/rotavirus-sintomas-transmissao-e-prevencao
https://medicoresponde.com.br/o-que-e-giardiase/
https://www.dgs.pt/saude-publica1/listeriose.aspx
http://www.saude.sp.gov.br/resources/cve-centro-de-vigilancia-epidemiologica/areas-de-vigilancia/doencas-transmitidas-por-agua-e-alimentos/doc/bacterias/201315shigella_revisado.pdf
http://www.saude.sp.gov.br/resources/cve-centro-de-vigilancia-epidemiologica/areas-de-vigilancia/doencas-transmitidas-por-agua-e-alimentos/doc/bacterias/201420vibrio_vulnificus.pdf
http://www.asae.gov.pt/?cn=541054135465AAAAAAAAAAAA

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