Mortalidade materna: perdas evitáveis

Mortalidade materna: perdas evitáveis

A cada 1,73 minutos, uma mulher morre, no mundo, em decorrência de complicações na gestação, no parto e no puerpério. A maioria delas, evitável. Você nem terá acabado de ler esta matéria e outra vida terá se perdido. São 830 mortes maternas, todos os dias. Uma média de 216 para cada 100 mil bebês nascidos vivos. São dados da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), ligada à Organização Mundial de Saúde (OMS). Daí a importância do Dia Nacional de Redução da Mortalidade Materna.

Prevenção salva

Segundo a OPAS, a maioria dos óbitos (quase 75%) decorre de complicações relacionadas à hipertensão (pré-eclâmpsia e eclâmpsia), ao parto, a hemorragias e infecções (sobretudo no pós-parto) e abortos inseguros. Doenças como malária e contaminação pelo HIV na gravidez também estão entre as causas.

Neste contexto, a prevenção, o acesso à informação e a serviços de saúde são fundamentais para salvar vidas. Um pré-natal bem feito, assim como o acompanhamento durante e após o parto reduzem os riscos de morte especialmente em áreas rurais e comunidades pobres de países em desenvolvimento, onde ocorrem 99% de todas as mortes maternas. Para se ter uma ideia, na Suécia são 4 mortes a cada 100 mil nascimentos, no Brasil, esse índice sobe para 64,4 (dados de 2016). Em Uganda, 343.

Ações para diminuir a mortalidade materna

Um somatório de ações é recomendado pela OMS para reverter esse quadro: no pré-natal, a detecção precoce de problemas, preparação e planejamento para o parto. Durante o parto, atenção qualificada, profissionais com treinamento e capacitação técnica, correta avaliação de fatores de risco e reconhecimento precoce de complicações (e saber como agir), acesso a cirurgia obstétrica, monitoração do bebê e realização de intervenções básicas essenciais. No puerpério, assistência qualificada. Em todo processo, ter paciência e empatia. Sim, o bem-estar da mãe é fundamental.

No Brasil, programas públicos e em parceria com a rede privada foram instituídos pelo Ministério da Saúde para melhorar a atenção durante a gestação, dentre eles a Rede Cegonha, que acompanha a mulher da gravidez até os primeiros dois anos de vida da criança, com ações em 5.488 municípios brasileiros, atingindo 2,6 milhões de gestantes. No setor privado, o Projeto Parto Adequado, da ANS, já em sua segunda fase conseguiu diminuir em 8% os considerados altos índices de cesáreas (fator de risco quando não for procedimento indicativo) nos 63 hospitais que aderiram ao projeto em 2017.

Cuidar de si faz bem

Gestantes e mulheres que planejam engravidar também podem fazer a sua parte tomando as rédeas no cuidado com a própria saúde: realizar o pré-natal, comparecer às consultas agendadas, fazer os exames pedidos e suplementação de ferro e ácido fólico. Manter sob controle doenças como diabetes ou hipertensão, que podem ser complicadores na gestação.

Organizar o plano de parto com profissionais capacitados. Buscar informação e acolhimento: é direito da mulher receber um atendimento humanizado no pré-natal, parto e pós-parto.

Entre 1990 e 2015, a mortalidade materna no mundo caiu cerca de 44%. Entre 2016 e 2030, como parte dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), a meta é reduzir a taxa global para menos de 70 mulheres por cada 100 mil nascidos vivos. Se cada um fizer a sua parte, a gente chega lá!

Leia AQUI quais os exames que toda mulher deve fazer, ao longo da vida, para manter-se saudável.

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